Holding Familiar: o que é, o que não é e por que você deve olhar para esse tema sem mitos
- Any Kéully Amorezi Magalhães

- 13 de dez. de 2025
- 4 min de leitura
A palavra holding se tornou comum no ambiente empresarial, especialmente entre empresas familiares de pequeno e médio porte. O termo aparece em reuniões, conversas com contadores, vídeos nas redes sociais e consultorias que prometem “redução de impostos”, “blindagem total” e “soluções rápidas para sucessão”.
Mas a verdade é que, na prática, existe uma distância significativa entre o discurso e o funcionamento jurídico real dessas estruturas.
Este artigo tem um objetivo simples: desmistificar a holding, explicar para que ela serve e mostrar quando ela é realmente necessária.

O que é uma holding, de forma simples e correta:
Holding é uma empresa criada para administrar patrimônio. Ela pode deter quotas de outras empresas, imóveis, investimentos e até bens usados em atividades econômicas.
As finalidades mais comuns incluem:
organização do patrimônio familiar;
centralização da gestão;
estruturação da sucessão;
prevenção de conflitos entre herdeiros;
criação de regras de governança para empresas familiares.
Trata-se de um instrumento jurídico, não de uma solução automática ou autossuficiente. Para funcionar bem, exige planejamento, contabilidade adequada e manutenção constante.
Mitos que você precisa abandonar:
Mito 1: “Holding serve para pagar menos imposto.”
Esse é o mito mais difundido — e o mais perigoso.
Nem sempre a holding reduz tributos. Em muitos casos, pode até aumentar a carga tributária. Benefício fiscal depende de caso concreto, da natureza dos bens, do tipo de renda e do regime tributário.
Mito 2: “Holding evita brigas familiares.”
Ela ajuda a reduzir conflitos porque organiza regras e cria governança, mas não é garantia de paz familiar. Nenhuma estrutura funciona se não houver diálogo e alinhamento entre os envolvidos.
A família vai precisar de maturidade para passar pelas conversas difíceis que a estruturação de uma holding familiar existe.
Mito 3: “É só abrir a empresa e transferir os bens.”
Outra ilusão. Holding exige:
escrituração contábil adequada;
declarações fiscais periódicas;
gestão contínua;
cumprimento de normas societárias.
Ou seja, você vai precisar de um contador, um advogado, uma sede para empresa, e alguém para administrar.
Holding não é um castelinho que alguém cria, "blinda" teu patrimônio, te entrega pronto e você nunca mais vai tocar.
Mito 4: “Holding é a única forma de planejamento sucessório.”
Não é. Outros instrumentos podem ser igualmente eficientes, ou até mais, como:
doações com ou sem usufruto;
testamento;
acordos familiares;
pactos de sócios;
combinação de instrumentos extrajudiciais.
A escolha de qual instrumento jurídico usar depende do objetivo e da composição do patrimônio.
3. Quando a holding faz sentido (e traz resultados reais)
A holding costuma ser adequada quando existe:
patrimônio que depende de administração (indústria, fazenda, mercado, comércios em geral, etc.)
empresa familiar com necessidade de profissionalização;
mais de um herdeiro com expectativas diferentes;
necessidade de definir regras para entrada e saída de familiares;
intenção de separar patrimônio pessoal e empresarial > e já te digo, que independentemente da criação de uma holding, toda empresa DEVE fazer isso, sob pena de correr o risco de afetar o patrimônio pessoal;
projeção de expansão ou abertura para terceiros.
Para empresas locais de pequeno e médio porte, ela pode ser especialmente útil quando há expectativa de continuidade familiar ou necessidade de melhor governança.
4. Situações em que a holding NÃO é indicada
patrimônio não administrável e de baixo valor;
quando a expectativa de ganho fiscal que não se sustenta no caso concreto;
bens que geram tributação desfavorável dentro da pessoa jurídica;
ausência de atividade empresarial que justifique governança.
Criar holding sem necessidade aumenta custo, burocracia e risco de problemas futuros.
5. O que avaliar antes de decidir
Antes de optar por uma holding, é essencial analisar:
Objetivo real: organização? sucessão? proteção? governança?
Composição dos bens: imóveis, quotas, operações econômicas.
Tributação atual vs. tributação dentro da holding.
Custo de abertura e custo anual de manutenção.
Perfil e expectativas dos herdeiros.
Existência de conflitos já instalados.
Outras soluções mais simples e eficazes para o caso concreto.
A holding é uma ferramenta — não o plano inteiro.
6. Holding não substitui diálogo
Nenhuma estrutura jurídica, por mais sofisticada que seja, substitui:
alinhamento familiar,
clareza de papéis,
pactos internos,
comunicação transparente.
Planejamento sucessório eficiente exige tratamento preventivo de conflitos, e isso passa necessariamente por conversa, mediação e, quando possível, acordos extrajudiciais.
Inclusive, muitas famílias desistem de continuar com a estruturação da holding pela incapacidade de lidar com as conversas difíceis, como por exemplo, morte, especialmente do patriarca/matriarca, divórcio entre os herdeiros, relação familiar já existente, predominância de algum ou alguns filhos em relação aos outros, etc.
7. Conclusão: menos fantasia, mais estratégia
Desmistificar a holding é devolver a ela o lugar que realmente tem: uma solução técnica, útil e eficiente — quando aplicada de forma estratégica e personalizada.
Criar holding apenas porque “todo mundo está fazendo” tende a gerar custo e frustração. Criar holding após análise séria, com foco em organização patrimonial e prevenção de conflitos, pode trazer segurança jurídica, continuidade empresarial e tranquilidade para a família.
O ponto central é um só: cada caso merece um estudo próprio.
Se você quer entender qual estrutura faz sentido para o seu cenário e como organizar a sucessão de forma segura e extrajudicial, estou à disposição para uma conversa inicial de diagnóstico.



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